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14 de outubro de 2008

Elaine Lage

Estrela número 1 da Vera Cruz, companhia que se instalou no Brasil no final da década de 40 como tentativa de industrialização do cinema nacional, Eliane Lage nasceu na França mas veio para o Brasil ainda bebê – sua avó era francesa. Sua carreira no cinema nacional é curta, com apenas 5 filmes, mas todos clássicos, onde se eternizou como sinônimo da Vera Cruz.No modelo implantado pela companhia, onde havia lugar até para o ´star system´ nos moldes hollywoodiano, a atriz foi a mais perfeita tradução, pela beleza e elegância no porte e estilo clássico de interpretação.

Mas antes da carreira, ela sempre se interessou por trabalhos humanitários, com ações solidárias tanto no Brasil como na Europa. Eliane Lage estrelou o primeiro filme da Vera Cruz, `Caiçara´, de Adolfo Celi e Tom Payne, em 1950. Foi Payne quem levou-a para a Vera Cruz, com quem veio a se casar.Eliane Lage atuou em mais 4 filmes da companhia, sendo que três destes foram dirigido ou co-dirigido pelo marido.

O maior sucesso foi “Sinhá Moça”, em 1953, filme premiado nos festivais de Veneza, Berlim e Peru, com grande destaque também no elenco para a atriz Ruth de Souza. Depois desse filme, a atriz fica alguns anos longe das telas e retorna em 1958 para atuar em seu último filme, `Ravina´, dirigido pelo então crítico de cinema Rubem Biáfora. Após esse trabalho, Eliane Lage abandonou as telas do cinema, deixando órfã uma legião de fãs apaixonados pela eterna ´Sinha Moça´ do cinema nacional.

A atriz foi focalizada no documentário “Eliane”, de Ana Carolina Maciel e Caco Souza, realizado em 2004, que vai ao ar hoje à noite (23h20), pelo Canal Brasil.

Fonte: Mulheres do Cinema Brasileiro

Companhia Cinematográfica Vera Cruz

Em 1949, empresários de São Paulo criam a Companhia Cinematográfica Vera Cruz. Durante quatro anos, a Vera Cruz realiza 18 filmes de longa-metragem e marca uma época no cinema brasileiro.

Após o fim da Segunda Guerra Mundial e da ditadura do Estado Novo, em 1945, São Paulo vive um momento de efervescência cultural. Revistas de divulgação artística, conferências, seminários e exposições agitam a vida paulista.No final dos anos 40, são inaugurados o Museu de Arte Moderna e o MASP - Museu de Arte de São Paulo. Na mesma época, Franco Zampari, empresário de origem italiana, monta uma companhia teatral de alto nível, o TBC - Teatro Brasileiro de Comédia. Cresce o interesse pelo cinema. Intelectuais fundam cineclubes e movimentam grupos de debates.

Em 1949, Franco Zampari e um grupo de empresários fundam a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, em São Bernardo do Campo.Constróem estúdios gigantescos e caros. Importam os melhores equipamentos disponíveis no exterior. Os empresários tomam como modelo o cinema de Hollywood, nos Estados Unidos."Produção Brasileira de Padrão Internacional." Com este lema, a Vera Cruz se propõe a realizar um cinema brasileiro em bases industriais.

A primeira produção da Vera Cruz é o filme "Caiçara", dirigido por Adolfo Celi. É todo filmado em Ilhabela, litoral de São Paulo, para onde foram deslocados o elenco, a equipe técnica e os pesados equipamentos de filmagem. O lançamento de "Caiçara" é feito com grande publicidade.

O ritmo de produção da Vera Cruz é intenso.Os lançamentos se sucedem, às vezes em intervalos de poucos meses.


Em janeiro de 1953, estréia "O Cangaceiro", dirigido por Lima Barreto. "O Cangaceiro" é premiado no Festival de Cannes como o melhor filme de aventura daquele ano e torna-se um sucesso de bilheteria.

O sonho brasileiro de uma indústria de cinema dura poucos anos. Em 1954, a Companhia Vera Cruz entra em declínio. Entre os motivos de sua decadência está a ausência de um sistema próprio de distribuição. Os distribuidores e os exibidores ficavam com mais de 60% da arrecadação. Havia ainda a dificuldade de colocar o filme brasileiro no competitivo mercado internacional.

A Vera Cruz é prejudicada também pela concorrência desigual com os filmes estrangeiros no Brasil. O preço dos ingressos das salas de cinema era tabelado. A inflação diminuía o valor real do ingresso e fazia cair a arrecadação dos filmes. Para os filmes estrangeiros norte-americanos, o governo brasileiro pagava a diferença entre o câmbio do dólar oficial e do paralelo.Apesar de só ter durado alguns anos, a Vera Cruz formou uma geração de cineastas e profissionais de cinema. A qualidade técnica e artística de seus filmes marcou uma época e mostrou a viabilidade do cinema brasileiro.

Fonte: TV Cultura